Dihidrotestosterona

Frank Stanczyk, Ph.D.

25/06/2005


Dihidrotestosterona (DHT) é o andrógeno mais potente produzido nos homens e mulheres. É considerado 2-3 vezes mais potente do que a testosterona. O DHT liga-se a receptores específicos com mais afinidade e especificidade do que os demais andrógenos [1]. Embora, de 20-25% do DHT circulante em homens seja derivado da secreção direta nos testículos, este é considerado como um produto predominante de formação periférica tanto nos homens como nas mulheres. O DHT pode ser formado em vários tecidos não endócrinos, mas primariamente é formado na pele e tecidos sexuais como, próstata e a pele da genitália feminina. O índice de produção de DHT é de aproximadamente 300 µg/dia em homens [2] e 25-55 µg/dia em mulheres [3].

O DHT é formado a partir da testosterona ou androstenediona. A Testosterona é o principal andrógeno circulante precursor do DHT nos homens. O DHT é formado diretamente da testosterona via enzima, 5?-reductase. Em mulheres, o precursor primário do DHT na circulação é a androstenediona. Estudos mostram que a androstenediona é responsável por aproximadamente 60%, e a testosterona por somente 15% da produção total de DHT; o restante é derivado da dehidroepiandrosterona, 5-androsteno-3? e 17?-diol [4,5].

A formação do DHT a partir da androstenediona em mulheres ocorre por duas vias diferentes, a mais importante envolve a conversão de androstenediona para 5?-androstana-3, 20-diona pela ação da 5?-reductase, e subseqüente conversão para DHT através da ação da 17?-hidroxiesteróide oxidoreductase [6,7]. A outra via de formação de DHT envolve a conversão de androstenediona para testosterona através da enzima 17?-hidroxiesteróide oxidoreductase, e a conversão subseqüente de testosterona para DHT como descrito anteriormente.

Os níveis plasmáticos de DHT variam durante o período de vida tanto nas mulheres [3] quanto nos homens [2]. Em mulheres normais, os níveis de DHT antes da puberdade estão muito baixos (<30 pg/mL), durante os anos que antecedem a menopausa os níveis estão entre 50 e 300 pg/mL. Após a instalação da menopausa, os níveis de DHT geralmente decaem, retornando aos níveis encontrados na pré-puberdade.

Nos homens, os níveis de DHT na pré-puberdade são inferiores a 100 pg/mL, com um intervalo entre 250 a 750 pg/mL na vida adulta.

A maior parte do DHT circulante está ligada ao SHBG. Esta proteína plasmática tem cerca de 3 vezes mais afinidade de ligação pela testosterona e 9 vezes mais afinidade pelo estradiol [8]. Uma considerável proporção do DHT também circula ligado a albumina, e cerca de 1% circula na forma livre. Existe também uma diferença sexual na proporção de DHT ligado a SHBG e a albumina. A porcentagem de DHT circulante ligado a SHBG e a albumina é de 60% e 39% nos homens, para 78% e 21% nas mulheres, respectivamente [9].

O DHT passa por processo de redução e conjugação. É reduzido primariamente a 5?-androstana-3?, 17?-diol (3?-androstenediol) via enzima 3?-hidroxiesteróide oxidoreductase. Da mesma forma, uma pequena proporção do DHT é convertida a 3?-androstenediol. Na seqüência, os isômeros de androstenediol 3? e 3? iniciam conjugação. Nos últimos anos, as atenções têm se focado no 3?-androstenediol glucoronídeo, o qual tem se mostrado um importante marcador da atividade da enzima 5?-reductase e da ação periférica dos andrógenos [10]. Outros produtos do metabolismo de DHT incluem sua forma conjugada, chamada de DHT glucoronídeo e DHT sulfato.

O DHT possui vários papéis fisiológicos importantes, na vida fetal, este andrógeno periférico parece ser crítico na diferenciação do sinus urogenital, o qual inicia o desenvolvimento da genitália externa masculina.

Em desordens de deficiência de 5?-reductase [11], as mulheres afetadas são fenotipicamente normais, já os homens afetados possuem genitália ambígua ao nascimento, mas se desenvolvem como homens normais. Na puberdade, a genitália externa consiste de um pênis que se assemelha mais a um clitóris. Em homens adultos, o DHT tem papel importante no desenvolvimento e na patogênese da próstata [12]. A hiperplasia benigna de próstata (HBP), uma desordem comum em homens após a idade de 50 anos, requer andrógeno na forma de DHT para sua manutenção. O tratamento de HBP com inibidor de 5?-reductase é acompanhado por uma diminuição no volume prostático e uma melhoria dos sintomas clínicos.