RSR - ANTICORPO IA-2

Para dosagem de anticorpos contra Antígeno IA-2 de Células de Ilhotas Pancreáticas.

INTRODUÇÃO

Diabetes mellitus insulino-dependente está associada com o desenvolvimento de uma resposta auto-imune que resulta na destruição das células beta produtoras de insulina localizadas nas ilhotas de Langerhans. Vários marcadores antigênicos tem sido identificados para estes anticorpos, incluindo anti-insulina, anti-descarboxilase do ácido glutâmico (GAD65), e IA-2.

IA-2, também conhecido como antígeno de células de ilhota (ICA) 512, é uma proteína símile a tirosina fosfatase. Auto-anticorpos contra este antígeno podem ser encontrados em proporções maiores que 60% nos casos recém diagnosticados de diabetes do tipo 1, especialmente nos indivíduos mais jovens. Quando o teste para anticorpos IA-2 é utilizado em conjunto com anticorpos anti-insulina (IAA) e GAD65, o índice de predição para diabetes mellitus insulino-dependente aumenta grandemente.

METODOLOGIA

No ensaio da RSR auto-anticorpos IA-2 - RIE, as amostras são incubadas, primeiramente com IA-2 recombinante humano marcado com I-125. A seguir adiciona-se a proteína A em fase sólida para precipitar os complexos de anticorpos IA-2 marcados. Após centrifugação, os precipitados são contados e a quantidade de radioativo precipitado é proporcional a concentração de anticorpos IA-2 presentes nas amostras.

O ensaio RSR auto-anticorpo IA-2 - ELISA depende da habilidade dos auto-anticorpos IA-2 agirem bivalentemente e formarem uma ponte entre IA-2 impregnado nas placas ELISA e a fase líquida IA-2-biotina. O IA-2-biotina ligado é então quantificado pela adição de peroxidase estreptavidina e um substrato colorimétrico (TMB), com leituras da absorbância final em dois comprimentos de onda (450 nm e 405 nm) para obter um range máximo de leitura (20-8000 unidades por mL de preparação de referencia WHO NIBSC 97/550).

SIGNIFICADO CLÍNICO E USO ADEQUADO DO TESTE

A dosagem de anticorpos anti-IA-2 juntamente com a dosagem de anticorpos anti-GAD65 e IAA pode auxiliar no diagnóstico confirmatório de diabetes mellitus insulino-dependente (DM1). Os estudos têm demonstrado que entre os pacientes recentemente diagnosticados para DM1, aproximadamente 90% possuem auto-anticorpos para IA-2, GAD65 ou IAA. A associação de positividade dos três anticorpos determina risco de mais de 95% de chance de desenvolvimento da doença num prazo de 5 anos.

Desta forma, a pesquisa destes anticorpos é indicada em parentes de primeiro grau de indivíduos com DM1; nos indivíduos suspeitos de DM1 de início tardio, que nunca utilizaram insulina; e nos casos de hiperglicemia transitória da infância. As vantagens da definição de risco implicam no tratamento precoce, com diminuição do risco de cetoacidose diabética, e na tentativa de prevenção da doença pelo uso de medicamentos, ainda em fase de avaliação clínica. Em alguns estudos, o uso dos três testes combinados mostrou valor preditivo superior, comparando-se com o uso isolado do ensaio para anticorpos de células de ilhota (ICA).

Referências:

1. American Diabetes Association Position Statement: Standards of Medical Care for patients with Diabetes Mellitus. Diabetes Care 1999; 22:S32-S41

2. Report of the Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus. Diabetes Care 1997;20:1183-1197. 2. DCCT Research Group. Diabetes Control and Complications Trial (DCCT). The effect of intensive treatment of diabetes on the development and progression of long-term complications in insulin-dependent diabetes mellitus. N Engl J Med 1993; 329: 977-86.

3. American Diabetes Association. ADA position paper: Implications of the Diabetes Control and Complications Trial. Clin Diab 1993; 11:91-6.

4. Bonifácio E and Bingley PJ. Islet autoantibodies and their use in predicting insulin-dependent diabets. Acta Diabetol 1997;34:185-193.

5. Borg H, Fernlund P, and Sundkvist G. Protein tyrosine phosphatase-like protein IA-2antibodies plus glutamic acid descarboxylase 65 antibodies (GADA) indicates autoimmunity as frequently as islet cell antibodies assay in children with recently diagnosed diabetes mellitus. Clin Chem 1997;43(12):2358-2363.

Por: Sônia M.M.Fleira

Assessoria Científica